segunda-feira, 21 de abril de 2014

O Coelho e a Cabrita


O Coelho e a Cabrita 

Era uma vez uma jovem que na sua ingenuidade pubertária se deixou fecundar e viu-se obrigada a casar. A efervescência que a animou durante os primeiros tempos depressa cedeu o lugar à continência. Entre ela e o Coelho, assim se chamava o marido, era cada vez maior o espaço entre duas relações. O pobre desgraçado, quando o eretismo o lancinava, tinha que se virar sozinho.

Um dia que a jovem mulher seguia no seu calhambeque por uma estrada nacional, deparou com uma linda cabra branca que andava perdida. Mulher de grande coração, não hesitou um instante: propôs-lhe albergue na sua casa. Depois de uma animada conversa no meio da estrada, acabou por a convencer. Entraram para a carriola e dirigiram-se para a bela aldeia de Virtudes, onde a jovem e o Coelho viviam.

Foi o que a perdeu. Pouco a pouco, entre o seu marido e a cabra, uma sincera amizade foi ganhando raízes. Ao cabo de algumas semanas, e sem que a esposa do Coelho se apercebesse, essa amizade converteu-se num verdadeiro sentimento de concupiscência que acabou por unir o Coelho e a Cabrita (era o nome que a jovem tinha posto à cabra), dando vida a uma ardente história de amor.

Uma manhã, a jovem acordou e reparou que o seu marido Coelho não se encontrava na cama com ela. Indiferente, levantou-se e foi para a cozinha preparar o chá matinal. Por cima da mesa encontrou um pedaço de papel dobrado que dizia : «Eu e a Cabrita decidimos abandonar a toca e viver o nosso amor como bem entendemos. Não me preocupo contigo pois sei que abriu a caça e que Coelhos não te vão faltar».

Moral da história: desconfie sempre das cabra bonitas.

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